Dona Só
Blocos de papel manchados
de café e água benta
a velhina dormiu sob o sofá
com seu cachorro pulguento
E sua vida cada vez mais chata
exprimia-se na sua casinha
quando jovem já vivia como uma velha
e quando velha não se sentia mais viva
Sofreu sem pena de si mesmo
deixou os outros serem verdadeiros
Mas os outros nunca são eles mesmos
E depois viu o orgulho a matar
por confiar demais na sua confiança
No fim ficou sozinha
lavando a casa todo o dia
conversando com seu nariz
e sonhando com o banheiro
Faltou ela ser um pouco hipócrita e boba
Ou pelo menos fingir
Pra pintar o monstro de palhaço
Pra esquecer o fracasso
Pra não lembrar que a as pessoas
não passam de casacos sujos e rasgados
R. Miranda
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